Panorama N1: Ampliando a Cena
Agenda, lançamentos, notícias e a Resenha Panorama desta semana
Por Luiza Ferreira Ferraz
Publicado em 11/09/2026 17:51
Cultura
Foto: Colagem

A sexta-feira (11) chega e com ela também vem mais um Panorama N1, abordando a cena cultural do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Do ao vivo para as linhas das nossas publicações! 

Toda semana, novos trabalhos chegam aos palcos, às telas, às plataformas e aos espaços culturais. E aqui, esse movimento fica mais próximo do público. 

Entre informação, contexto e agenda, o Panorama aborda a programação regional, lançamentos de música, cinema, streaming e teatro, e termina com uma experiência comentada na Resenha Panorama.

Panorama da Semana

O início é com o Panorama da Semana, com os principais acontecimentos culturais do país.

Rock in Rio tem dia dedicado ao K-pop

O Rock in Rio chega ao segundo fim de semana de sua edição de 2026 com uma novidade histórica: nesta sexta-feira (11), o festival realiza seu primeiro dia inteiramente dedicado ao K-pop.

A programação reúne NEXZ, Hwasa e Stray Kids no Palco Mundo. O grupo NEXZ abre os shows, às 16h40, seguido por Hwasa, às 19h. Às 21h20, Alok apresenta o projeto “Keep Art Human”, e o Stray Kids encerra a noite, à 0h05.

A apresentação também marca outro momento inédito para o festival: o Stray Kids é o primeiro artista de K-pop a ocupar a posição de headliner do Palco Mundo. Os fãs ainda poderão levar lightsticks para acompanhar os shows.

A sexta-feira também tem Jamiroquai e PJ Morton entre os destaques, além do encontro de Jota.pê, Luedji Luna e Zaynara em outro dos palcos do festival.

No sábado (12), a programação reúne Pedro Sampaio, J Balvin, Demi Lovato e Maroon 5 no Palco Mundo. Entre os outros destaques do dia estão Criolo, João Gomes, Mumford & Sons e o encontro de Gilsons com Daniela Mercury e Olodum.

Já no domingo (13), último dia do festival, Ivete Sangalo, Lola Young, Halsey e Twenty One Pilots encerram a programação do Palco Mundo. Nos demais espaços, Marina Sena se apresenta com Céu, Joelma divide o palco com Viviane Batidão e Zara Larsson também está entre os destaques.

Agenda Cultural

O fim de semana reúne programações do Vetor Norte e Belo Horizonte que passam por tradições religiosas, música, festivais e iniciativas voltadas à preservação da memória. 

Jubileu de Matozinhos celebra 176 anos de tradição

O Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matozinhos celebra 176 anos com uma programação que reúne religiosidade e atrações musicais. Nesta sexta-feira (11), o Jubileu Show recebe o grupo Seja Luz, às 21h. No sábado (12), a programação tem Avivah, às 17h30, e Celina Borges, às 21h. Já no domingo (13), o Dia do Romeiro conta com procissão motorizada às 17h e show do Dominus, às 19h. A programação acontece na região da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, no Centro de Matozinhos, e tem entrada gratuita.

Museu Jaimí será inaugurado em Santa Luzia

Santa Luzia ganha neste sábado (12) um novo espaço dedicado à preservação da memória da cidade. O Museu Jaimí – Território das Raízes Luziences será inaugurado às 14h, na Rua Bonfim, 226, no Centro. A abertura é gratuita e aberta ao público, com a proposta de reunir elementos da história e da cultura luziense em um novo espaço de memória.

Texas Country Fest reúne música e gastronomia em Lagoa Santa

Lagoa Santa recebe, de sexta-feira (11) a domingo (13), o Texas Country Fest, edição especial do Festival Origens Gastronômicas, no Parque de Exposições João de Paula Cota. O evento reúne gastronomia, música e cultura country, com mais de 40 expositores e uma competição de cavalos. A programação musical passa por rock, country e sertanejo, com Velotrol na sexta-feira, Locomotiva Rock, Dannier Cooper e Artur e Gabriel no sábado, e Vitória Pinheiro, Bullets e Santéro no domingo. A entrada e o estacionamento são gratuitos. O festival acontece das 17h às 23h na sexta, das 12h às 23h no sábado e das 10h às 20h no domingo.

Alliance Brasil comemora 20 anos com festival de música eletrônica

Também em Lagoa Santa, o sábado (12) será marcado pelos 20 anos da Alliance Brasil. O festival acontece na Fazenda Espigão, na divisa com Jaboticatubas, a partir das 22h, com programação de música eletrônica e psytrance. Entre as atrações estão Neelix, Vegas, Phaxe, Zyce, Flegma e Altruism. O evento é para maiores de 18 anos e tem ingressos a partir de R$105 na meia-entrada e R$110 no ingresso solidário, com doação de 1 kg de alimento não perecível.

Descontorno Cultural ocupa espaços de Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, o Descontorno Cultural chega à 11ª edição neste sábado (12) e domingo (13). A programação ocupa dez Centros Culturais Municipais, distribuídos por nove regionais da cidade, com atividades de música, teatro, dança, circo, literatura, artes visuais, audiovisual e culturas populares. A iniciativa também busca ampliar a presença de artistas e projetos de diferentes territórios da capital. As atividades são gratuitas e voltadas para públicos de todas as idades.

Suraras do Tapajós leva carimbó indígena a capital mineira

Nesta sexta-feira (11), o grupo Suraras do Tapajós apresenta o espetáculo “Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”, às 20h, na Autêntica, em Santa Efigênia. Formado exclusivamente por mulheres indígenas de Alter do Chão, no Pará, o grupo leva ao palco música, dança e referências às tradições do povo Borari, com participação da mineira Tutu com Tacacá. Os ingressos custam a partir de R$18.

Para dar zoom!

Desde o streaming a literatura, entre outros lançamentos, o Panorama separou alguns títulos que estão chamando a atenção. 

Literatura

O destaque desta semana é o lançamento de “Memórias aprisionadas: arqueologia da repressão e da resistência no DOPS/MG”, que acontece nesta sexta-feira (11), em Belo Horizonte. Assinado pelos pesquisadores Andrés Zarankin, Caroline Murta Lemos e Denise Costa, o livro apresenta os resultados de uma pesquisa arqueológica realizada no antigo espaço de detenção do DOPS/MG, utilizado durante a ditadura militar.

A pesquisa investiga os vestígios encontrados no local e recupera histórias relacionadas à repressão e à resistência política durante o período. O trabalho também marca um momento inédito para a arqueologia brasileira: é a primeira escavação arqueológica realizada no país em um centro de detenção utilizado para presos políticos.

O lançamento acontece às 18h30, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, na Avenida Raja Gabaglia, 1315, no bairro Luxemburgo. A entrada é gratuita e não é necessário fazer inscrição.

Cinema

Nos cinemas da capital mineira, a programação desta semana reúne estreias e filmes brasileiros que seguem em cartaz. Entre os destaques, quatro produções chamam atenção por diferentes formas de revisitar histórias, personagens e acontecimentos.

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” estreou nesta quinta-feira (10) e marca o retorno de Sandra Bullock e Nicole Kidman aos papéis das irmãs Owens, quase 30 anos depois do primeiro filme. Sob direção de Susanne Bier, a nova produção retoma o universo de fantasia da história original e coloca as personagens diante de uma nova ameaça à família.

Outra estreia da semana é “PRK30: O Rádio pelo Avesso”, que chegou aos cinemas nesta quinta-feira (10). O documentário revisita a história da Rádio PRK-30, programa de humor que fez sucesso no rádio brasileiro a partir da década de 1930 e ficou conhecido pelas paródias e pela sátira de acontecimentos do país.

Também seguem em cartaz “Viva Marília”, documentário que recupera a trajetória e o legado de Marília Pêra, e “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, cinebiografia que percorre a vida e a obra do cantor e compositor. Os dois filmes continuam entre as opções brasileiras disponíveis nos cinemas de Belo Horizonte nesta semana.

Streaming

As plataformas de streaming também renovam seus catálogos nesta semana, com novas séries, realities e documentários. Entre os destaques, há opções que vão do drama ao suspense, passando por competição e investigação.

Dois títulos chegam à Netflix nesta quinta-feira (10). “A Garota do Remo” acompanha Teagan, uma jovem remadora de 16 anos que vê seu futuro sair dos trilhos após um escândalo familiar. Ao se mudar com a mãe para a Costa Leste dos Estados Unidos, ela entra em uma escola de elite e, como não há uma equipe feminina de remo, assume a função de timoneira do time masculino.

A outra estreia é “As Amigas do Clube”, série que acompanha um grupo de mulheres de vidas luxuosas após a morte de uma delas em um incêndio. O acontecimento faz com que as amigas passem a questionar o que realmente sabem umas sobre as outras.

E, nesta sexta-feira (11), a plataforma estreia “Physical 100: Itália”, nova edição italiana do reality de competição física. A produção reúne 100 participantes de diferentes áreas, entre atletas olímpicos, esportistas, celebridades e criadores de conteúdo, que enfrentam provas de força, resistência, agilidade e estratégia. A cada desafio, os competidores avançam em busca de ser o último participante restante e conquistar a vitória.

Na HBO Max, um dos destaques brasileiros da semana é “Morte e Mistério na Amazônia”. A docussérie investiga a história de Akakor, uma suposta cidade perdida na Amazônia, e as expedições realizadas em sua busca, além dos desaparecimentos e mistérios associados ao local. A plataforma também recebeu “Rainha do Bisturi com Dra. Carol Brandão”, que acompanha a rotina da cirurgiã e diferentes casos e procedimentos médicos.

Resenha Panorama

Nesta sessão, experiências culturais são transformadas em uma análise que combina contexto, percepção e leitura crítica da obra. A cada edição, a proposta é olhar para uma produção a partir do que ela apresenta, das escolhas que faz e das questões que provoca.

But I´m a Cheerleader (1999)

O filme da Resenha Panorama desta semana é um clássico — pelo menos é como eu o considero: “But I’m a Cheerleader”, de 1999, dirigido por Jamie Babbit, entra facilmente para essa seleção honrosa.

É difícil explicar o filme sem começar pelo que mais chama atenção: tudo nele é levado ao excesso. As cores, os personagens, os estereótipos. Tem rosa, tem azul, tem uniforme, tem coreografia, tem adolescentes tentando aprender a “ser homens” e “ser mulheres” da maneira considerada correta — leia-se: heteronormativa. É quase tudo perfeitamente ridículo. E eu digo “ridículo” como elogio.

Porque nada disso está ali por acaso. A caricatura é muito bem construída. O filme pega ideias que a sociedade naturalizou sobre gênero, identidade e sexualidade e leva todas elas ao limite. E, quando chega nesse ponto, o que parecia apenas engraçado começa a revelar o quanto aquela própria lógica é absurda.

Megan, interpretada por Natasha Lyonne, é enviada pelos pais para um acampamento de conversão depois que eles passam a acreditar que ela é lésbica. A partir daí, o filme transforma aquele lugar em uma espécie de grande teatro de estereótipos: cada pessoa precisa cumprir um papel, aprender determinados comportamentos e abandonar aquilo que supostamente não corresponde ao gênero que lhe foi atribuído.

É engraçado porque tudo é exagerado. Mas é justamente esse exagero que faz a crítica funcionar.

O filme não precisa ficar explicando o tempo inteiro porque aquilo é absurdo. Ele simplesmente mostra. Homens tentando provar que são homens, mulheres tentando provar que são mulheres, pessoas aprendendo uma versão “correta” de quem deveriam ser. E, quanto mais elas tentam se encaixar, mais evidente fica a fragilidade dessa ideia de que existe um jeito certo de ser.

Também acho muito interessante como o filme trabalha com identidade e sexualidade sem transformar tudo em uma experiência pesada. Ele é colorido, divertido, romântico, cheio de personagens muito particulares. O elenco inteiro entende a proposta e abraça o exagero.

Mas existe uma parte que ecoa depois que o riso passa.

“But I’m a Cheerleader” tem quase três décadas. E é frustrante perceber que algumas das questões que ele coloca em cena continuam tão reconhecíveis. A dificuldade de conceber que alguém possa existir fora das expectativas de gênero. A necessidade de definir o que é masculino, o que é feminino, o que é uma sexualidade aceitável. A ideia de que existe alguma coisa em uma pessoa que precisa ser corrigida para que ela possa caber no mundo.

O filme leva essas ideias até o limite. Só que, quando a gente olha para fora da tela, percebe que elas não ficaram completamente presas naquele acampamento fictício. O ridículo está bem mais próximo do que o aceitável.

A obra consegue falar de coisas muito sérias sem perder a graça. Não precisa deixar de ser divertido para ser crítico, nem abandonar a fantasia, as cores ou o romance para falar de violência e preconceito.

Pelo contrário: é justamente através dessa construção tão bem-humorada que ele consegue mostrar o quanto algumas ideias são pequenas.

E, no fim, eu fiquei com uma sensação muito simples: se o mundo fosse um lugar um pouco melhor, “But I’m a Cheerleader” seria um clássico da Sessão da Tarde.

Por Luiza Ferraz

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